Quando seus olhos infantis passeavam pelas revistas de super-heróis trazidas pelo pai, Fernando não sabia que ali era o começo de sua carreira como fotógrafo. O que ele queria era ser todos e cada um dos heróis, ter poderes, ser forte e indestrutível. Gostava da ação e da adrenalina que sentia ao perceber que eles resolviam tudo numa fração de segundo. O que o encantava mesmo, porém, não era a espada, nem o escudo ou a capa esvoaçante, mas a câmera de Peter Parker, identidade secreta do Homem-Aranha. Daí, bastou um tio chegar do exterior com uma Nikon profissional para que Fernando decidisse que ia salvar o mundo com ela. Os adultos ignoraram a seriedade daquela decisão tomada do alto de seus cinco anos de idade, e ele acabou ganhando da avó uma Kodak Xereta. Não ficou nem um pouco satisfeito.
Fernando teria que esperar mais de dezesseis anos até que se reencontrasse com esta decisão e pudesse fazer algo dela. Enquanto isso estudou jornalismo, ensaiou alguns textos para o jornal da PUC, mas como Parker acabou fotografando em vez de escrever. E então, foi monitor no laboratório de fotografia da faculdade, numa época de negativos e ampliações manuais feitas numa sala escura. Em seguida, passou alguns anos desenvolvendo fotojornalismo no jornal O Tempo, até decidir seguir carreira solo. Tornara-se fotógrafo.